Acabou a Graduação. E agora?

A 3ª série é certamente o ponto crítico do Ensino Médio: ao grande volume de conteúdo a ser estudado juntam-se a angústia da escolha de uma carreira e a pressão para ser aprovado no vestibular.

Terminada essa etapa bastante traumática, o resto é só alegria: estudar aquilo de que se gosta, ir às festas, às cervejadas e, finalmente, começar a trabalhar e ter o próprio dinheiro. Mas, por mais que essa seja uma ótima fase, a Graduação acaba em em 4 ou 5 anos.

Para alguns, esse é um momento de glória: livros nunca mais – o negócio agora é trabalhar e ganhar o rico dinheirinho nosso de cada dia.  Para outros, contudo, bate uma angústia, uma inquietação: acabou para sempre a rotina de aulas, leituras e trabalhos? Não vou estudar nunca mais?!

Calma! Não precisa ser assim.

Para aqueles que querem continuar estudando, existem várias opções de formação continuada. Nesses casos, o caminho mais comum costuma ser a sequência “Especialização → Mestrado → Doutorado → Pós-Doutorado”.

Mas o que quer dizer cada uma dessas palavras? O que se faz em cada uma delas? São pagos? Caro? Dá muito trabalho ser Mestre ou Doutor? A seguir, algumas explicações para essas (e mais algumas outras) dúvidas, que tanto afligem quem quer continuar estudando depois de ter se formado na universidade.

A Pós-Graduação: o lato sensu e o stricto sensu

               varios-estudantes

No Brasil, os estudos de Pós-Graduação se dividem em duas modalidades: o lato sensu e o stricto sensu. A modalidade lato sensu dura, em geral, de 1 ano a 1 ano e meio e tem o objetivo de aprimorar os estudos realizados na Graduação. O foco da Pós-Graduação lato sensu é a formação de profissionais amplamente qualificados para o mercado de trabalho, ou seja, para o dia-a-dia profissional.

Já a Pós-Graduação stricto sensu visa formar pesquisadores altamente especializados em uma área específica do conhecimento humano, capacitados, assim, a produzir pesquisa de natureza científico-universitária. Após cursar uma Pós-Graduação stricto sensu, o profissional está apto inclusive para a docência no Ensino Superior. Isso não significa que a modalidade stricto sensu seja específica apenas para professores – a possibilidade de dar aulas é apenas mais um campo profissional que se abre ao estudante dessa modalidade de Pós-Graduação.                    

Vamos conhecer um pouco mais de cada uma dessas modalidades de estudo?

A Pós-Graduação lato sensu: a Especialização

estudante

A Pós-Graduação lato sensu é conhecida como Especialização e costuma ser o primeiro degrau de quem decide continuar estudando depois de ter concluído a universidade. No Brasil, a maioria dos cursos de Especialização é paga. O valor das parcelas varia bastante conforme a área de conhecimento. Nas áreas ligadas a administração, finanças e ao universo corporativo, a Especialização é conhecida como MBA.

Para se candidatar a uma vaga em um curso de Especialização, o candidato deve possuir um diploma de Graduação e se submeter a um processo seletivo que consiste, em geral, da análise do currículo e de uma entrevista.

Não é habitual que haja provas durante um curso de Especialização. O estudante terá aulas de diversos conteúdos relacionados à área em que está se especializando e deverá, ao final do curso, apresentar um trabalho denominado Monografia.

A Monografia consiste em uma proposta de aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Especialização na resolução de um problema da vida profissional do estudante. Esse trabalho é desenvolvido sob a orientação de um professor e costuma ter, em média, entre 60 e 80 páginas. Conforme as exigências de cada universidade, a Monografia de Especialização pode ou não ser apresentada publicamente a uma banca de professores ligados à área. Essa etapa é conhecida como Defesa. Se tudo corre bem e o candidato é aprovado, confere-se a ele o título de Especialista.

A Pós-Graduação stricto sensu: o Mestrado e o Doutorado

livros

A Pós-Graduação lato sensu costuma ser a escolha de profissionais que desejam apenas aperfeiçoar os conhecimentos obtidos na Graduação para sua vida prática, sem se aprofundar em nenhum tema específico.

Para aqueles que desejam se tornar profundos conhecedores de um assunto, o caminho mais indicado é o da Pós-Graduação stricto sensu, que visa formar pesquisadores altamente capacitados e conhecedores de áreas específicas do conhecimento humano. Na Pós-Graduação stricto sensu é possível estudar, por exemplo, nanotecnologia, fisiologia vegetal, literatura mexicana contemporânea ou medicina veterinária homeopática. Essa modalidade de Pós-Graduação se divide em 2 níveis: o Mestrado e o Doutorado.

O Mestrado

No Mestrado, o estudante é introduzido à pesquisa universitária, aprendendo a realizar adequadamente uma investigação científica através da busca de referências, métodos e tecnologias com os quais irá cumprir seu projeto inicial. Para ingressar em um Mestrado, o candidato deve possuir um diploma de Graduação e submeter-se a um processo de seleção composto, em geral, de 4 etapas: 1) Redação de um projeto de pesquisa, que será encaminhado à universidade escolhida e avaliado por uma comissão de professores; 2) Exame de proficiência em língua estrangeira, com foco em compreensão de textos; 3) Exame de conhecimentos específicos, realizado a partir de uma bibliografia previamente disponibilizada pela universidade; e 4) Entrevista e arguição do projeto de pesquisa. Todas essas etapas são eliminatórias.

Se aprovado, o estudante terá um prazo médio de 2 anos para cursar algumas disciplinas afins à área da pesquisa e redigir o resultado uma Dissertação, que costuma ter entre 100 e 140 páginas. Por exigência do MEC, a Dissertação de Mestrado – realizada sob a orientação de um professor doutor – deve ser defendida publicamente a uma banca de professores altamente capacitados na área em questão. Se aprovado pela banca, o candidato obtém o título de Mestre, com o qual pode, dentre outras possibilidades, lecionar em universidades particulares.

O Doutorado

Concluído o Mestrado, o estudante pode dar continuidade a seus estudos no Doutorado. Diferente do Mestrado – em que se espera que o aluno demonstre capacidade de relacionar informações a respeito de seu objeto de pesquisa e de redigir textos científicos –, o Doutorado exige a preparação de uma contribuição inédita à área de conhecimento em questão. Sendo assim, cabe ao estudante a formulação de um problema e a criação de uma teoria que o solucione.

Para se candidatar ao Doutorado, o estudante deve possuir o diploma de Mestre e se submeter a um processo de seleção idêntico ao do Mestrado; se aprovado, o aluno cursará algumas disciplinas afins à pesquisa que desenvolve e terá 5 anos para redigir seu trabalho – a famosa Tese, que conta, tal como a Dissertação de Mestrado, com a orientação de um professor doutor. Semelhante ao que ocorre com a Dissertação de Mestrado, a Tese de Doutorado também deve ser apresentada e defendida publicamente perante uma banca de professores doutores na área de conhecimento em questão. Se aprovada, a Tese – que tem, em geral, entre 140 e 200 páginas – confere a ser autor o título de Doutor, o que faz dele uma autoridade reconhecida em sua na área de conhecimento.

Diferente da Especialização, o Mestrado e o Doutorado não são diretamente voltados para a prática profissional em si, e sim para a produção de pesquisa. Por isso, costuma-se exigir que os mestrandos e doutorandos publiquem, periodicamente e em revistas especializadas, artigos resultantes de seus estudos. É comum também a participação em congressos, seminários e conferências que possam contribuir para o andamento da Dissertação ou da Tese.

Nas universidades públicas, o Mestrado e o Doutorado não são pagos. Além disso, há a possibilidade de o estudante obter uma bolsa de pesquisa, que lhe permitirá dedicar-se adequadamente à investigação. Essas bolsas são concedidas por órgãos como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e as Fundações de Amparo à Pesquisa (em São Paulo, a FAPESP). Atualmente, os bolsistas de Mestrado recebem mensalmente R$ 1.750,00; os de Doutorado, R$ 2.200,00. Há também a possibilidade de conseguir realizar parte da pesquisa no exterior, em universidades conveniadas. Esse mecanismo é conhecido como bolsa-sanduíche e pode durar até 1 ano.

O topo da vida acadêmica: o Pós-Doutorado

estudante-feliz

O Pós-Doutorado é o último degrau da carreira acadêmica. Ao contrário da Especialização, do Mestrado e do Doutorado, o Pós-Doutorado não exige nenhum trabalho final. Ele consiste em uma atividade de pesquisa especializada, desenvolvida em uma universidade e só pode ser realizado após a conclusão do Doutorado.

Essa atividade é realizada sob a supervisão de um professor pós-doutor e dará ao pesquisador um nível de excelência em determinada área do conhecimento. É possível ao pós-doutorando obter uma bolsa de pesquisa, cujo valor varia entre R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00. Estudantes de Pós-Doutorado também podem oferecer cursos, aulas, palestras e participar em bancas de Defesa de Dissertações e Teses.

Não há um prazo preestabelecido para que os estudos pós-doutorais pesquisa sejam concluídos e é possível realizar mais de um Pós-Doutorado. É comum também que os Pós-Doutorados sejam realizados fora do país de origem do estudante, em universidades que desenvolvem pesquisas de ponta na área de conhecimento em questão.

E você, anima chegar ao Pós-Doutorado? Deixe seus comentários abaixo e boa sorte nos estudos! Continue lendo nosso blog.

assinaturas-artigos-arnaldo